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O rei e a saúde pública

O rei e a saúde pública

O rei da Espanha, dom Juan Carlos 1º, foi operado domingo de um nódulo no pulmão. As biópsias (foram feitas duas) revelaram que não havia “células malignas no nódulo pulmonar extirpado”, conforme o comunicado oficial desta terça-feira, dia em que o rei deixou o hospital.

Qual é a graça nessa notícia, velha de 48 horas? Simples: o rei foi operado no Hospital Clinic de Barcelona, uma cidade tão fantástica que seus ares devem ter feito tão bem a Juan Carlos que ele pôde deixar a clínica apenas 48 horas depois de uma operação no pulmão.

Homenagem à minha cidade preferida à parte, a graça da notícia está na seguinte frase de Sua Majestade:

“Todos os espanhóis têm que estar orgulhosos da saúde pública que temos, tanto da Catalunha como de Madri”.

Caramba, o rei, ninguém menos que o rei, operado em hospital público (é também de ensino universitário)?

No Brasil, autoridade, mesmo que esteja longe de ser rei do que quer que seja, só vai a hospital público se não houver nada mais por perto.

A propósito: brinco sempre com Henrique Meireles, o “rei” do Banco Central, dizendo que ele deveria ter um lugar no livro Guiness de recordes, por ter sido o único banqueiro do planeta operado em hospital público.

Foi em Davos, nos Alpes suíços, em 2003, quando Meirelles escorregou na neve, caiu e quebrou o tornozelo.

Foi levado ao hospital público da cidadezinha, o único.

Já na Espanha, que só consolidou seu estado de bem-estar social a partir da recuperação da democracia, faz apenas 33 anos, o rei não só vai ao hospital público como faz questão de elogiá-lo depois. Ah, elogiou também os jornalistas, por terem informado “tão bem e tão exaustivamente”.

O Brasil só será um país de fato emergente no dia em que uma autoridade de grosso calibre for atendida em hospital público (não vale ilha de excelência, como o Incor), sair vivo e bem e elogiar o serviço público de saúde.

E a Espanha só continuará desenvolvida se não ceder aos ataques dos “lobos” do mercado financeiro que exigem cortes de gastos draconianos, sem levar em conta que uma parte importante dos gastos foi e ainda vai para que a saúde pública possa ter qualidade real.

Clóvis Rossi

Leia o artigo original aqui: http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/clovisrossi/ult10116u733379.shtml

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