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Documentário – Ônibus 174

Do mesmo diretor de Tropa de Elite, Ônibus 174 é mais uma obra prima de José Padilha. O documentário concentra-se em mostrar a vida de Sandro Dias do Nascimento, o jovem que sequestrou um ônibus na zona sul do Rio de Janeiro, em julho de 2000.

Assim como boa parte dos brasileiros, há alguns anos atrás eu tinha a opinião de que a solução era exterminar os Sandros, fazendo “um limpa” na cidade (e no Brasil). Hoje, minha opinião é outra. E é exatamente esse outro lado da moeda que Ônibus 174 foca. Frases como: “Tem que matar mesmo!”, “Tem que fazer um limpa na cidade.”, “Bandido bom é bandido morto.”… fazem parte da revolta diária dos brasileiros para com a violência de seu país.

Contudo, acho fácil para um brasileiro classe média (ou alta) típico, que nunca pisou numa favela, nunca passou fome e sempre morou em uma habitação digna, falar algo assim. Aposto que se esse mesmo brasileiro viesse a morar 1 mês em uma favela (ou na rua), também começaria a roubar e a cometer crimes. Não aguentaria a pressão e a miséria de um lugar desses. Mas poucos pensam assim. Preferem achar que favelados (ou moradores de rua) não estão trabalhando porque são vagabundos (ou porque recebem o Bolsa Família do governo, este, um dos argumentos mais ignorantes que já ouvi), porque acham mais fácil roubar, porque entrar para o tráfico gera muito mais lucro e blablabla… toda a ladainha que jornais, telejornais e opinião popular tentam (e conseguem) colocar em nossas mentes diariamente.

Agora eu lhe pergunto: com mais de 10 anos vivendo em condições subumanas (como a de milhões de brasileiros), você também não se revoltaria? Não estaria cometendo crimes tão (ou até mais) bárbaros como esse sequestro? Se você não for hipócrita, tenho certeza de que a resposta é sim. No entanto, as pessoas preferem olhar para o lado mais fácil, inflamado apenas com o conhecimento da cena presente do seqüestro do ônibus.

Vejam bem, eu não estou dizendo que o que o Sandro fez é certo. É errado, sem dúvida. O que eu quero dizer é que os brasileiros assistem à um episódio desses tal como assistem à um filme de Hollywood. Identificam o vilão (Sandro), os mocinhos (todos as outras pessoal envolvidas na situação) e, tal como nos filmes, querem apenas o extermínio do vilão. Não percebem que esse tipo de pensamento é apenas uma solução de curto prazo. É apenas questão de tempo para que outros episódios como esses ocorram novamente no Brasil.

Apesar disso, após assistir à película, alguns ainda vão dizer que Ônibus 174 é mais um documentário que tenta transformar bandido em herói. Não acredito nisso. Ele apenas vai mais a fundo na questão da violência, tentando achar razões mais profundas sobre todo o processo que faz uma pessoa chegar ao ponto em que Sandro chegou. Aliás, José Padilha sempre procura ser o mais imparcial possível. No documentário temos entrevistas com as vítimas do ônibus, ex-moradores de rua, policiais do Bope, repórteres, bandidos, presidiários, carcereiros e muitos outros. Todos eles envolvidos diretamente com a vida de Sandro.

José Padilha foi taxado como uma pessoa de esquerda ao lançar Ônibus 174. Curiosamente, ao lançar Tropa de Elite, essa condecoração se inverteu, fazendo-o ser taxado de direita. Isso mostra que o diretor produz filmes/documentários conforme lhe convém, não deixando que a opinião alheia o influencie. E espero que continue assim. Fica aqui meus parabéns para ele, um diretor que teve a coragem de fugir dos estereótipos criados no país.

Um documentário de alta qualidade, imparcial e moderno. Obrigatório para todos os brasileiros.

“Esse Sandro é um exemplo dos meninos invisíveis que eventualmente emergem e tomam a cena, e nos confrontam com a sua violência, que é um grito desesperado, um grito impotente.” – Ônibus 174

“A imprensa contou todas as histórias. A dos reféns. A do capitão. A dos atiradores. De todo mundo, menos a de Sandro.” – Trailer do filme Última Parada 174

“Sandro é o seqüestrador do ônibus, mas é também o retrato de um país que não liga para seu povo, que não oferece escolha entre o bem e o mal, e que gera monstros.” – Luana Espeschit (http://www.ezine.jor.br/jrm7a/luanaespeschit/index.htm)

“(…) E quanto à famosa pergunta “de quem é a culpa?”, tenho a dizer que a culpa é de cada fragmento adulterado e absorvido pelas entranhas de uma sociedade malfadada, formada por uma receita com centenas de ingredientes que, combinados, resultam no nada em que estamos vivendo. Uma época vazia, banal, resignada, ofuscada pela “coisificação” que apoderou-se (ou foi usurpada) das nossas almas. O que tanto procuramos? O que tanto queremos? Coisas? E pessoas? E pessoas que não tenham coisa alguma, você quer? Eu também não, confesso. Pois assim como eu, você, sua família, seus amigos, todos nós enfim estamos contaminados pelas coisas e seu fascínio desprovido de querer, apenas satisfazendo nossos “Narcisos interiores”, enquanto uma não-perspectiva paralela vai tomando corpo, até que nos atinge, cospe em nós nosso próprio veneno. (…) É assim que a natureza age, é assim que ela devolve nossa desventurada alienação. Parabéns ao realizador deste documentário.” – Eduardo Marsola (http://www.adorocinema.com/filmes/onibus-174)

“BRILHANTE! (…) O “ser” humano carece de condições mínimas de auto-estruturação. Sandro também foi vítima de um sistema. O senso-comum nem aceita discutir esta ótica…Mas é justamente por aí que é necessário se começar. Ninguém nasce delinqüente ou assassino… Ninguém.” – Octávio Fernandes (http://www.adorocinema.com/filmes/onibus-174)

“Esse documentário nos mostra a triste realidade de muitas crianças brasileiras que diferentemente do que nosso senso comum e nossa visão distorcida são apenas crianças que necessitam de amor, proteção e carinho como nossos filhos. Li um critica que fala que o documentário transformar um bandido em herói não acredito nisso, em nenhum momento mostra-se o Sandro como herói, mas mostra sua vida e as razões que o levaram ao mundo do crime e a vontade que mudar, de ter uma oportunidade que nunca chegou até ele. Ao pensarmos na violência, no criminoso vemos que tudo está ligado a questão social e que senão mudarmos e pararmos de achar que matar resolve o problema vamos apenas animalizar cada vez mais essas pessoas excluídas e nos tornar animais também. Tão animalescos que tentamos linchar e aceitamos que policiais matem, que noção de justiça é essa? Ao ver o filme tive a convicção de que a maior vitima foi o Sandro que teve um vida marcada por violência e não lhe foi apresentadas outras escolhas, outras formas de sobreviver.” – Danile Lopesa (http://www.adorocinema.com/filmes/onibus-174)

“O documentário mostra a realidade de indeferença e exclusão que a sociedade brasileira impõe aos cidadãos mais pobres. Sem sensacionalismo, a abordagem atinge e emociona a todos os que assitem e possibilta momento importante de reflexão.” – Fernando Galvão (http://www.adorocinema.com/filmes/onibus-174)

“(…) tudo o que a sociedade fez com sandro o mesmo quis retribuir a sociedade que foi violência, falta de respeito, sem o direito de ir e vir, tirado brutalmente do convívio de seus familiares, sendo desprezados por muitos, enfim eu como estudante que sou, queria muito que a nossa sociedade parasse de colocar grades em suas casas para se protejer do que nos mesmos provocamos a eterna desigualdade social.” – Izabella Raymundo Barreto Alvesa (http://www.adorocinema.com/filmes/onibus-174)

“Ônibus 174 não é apenas um filme documentário, é acima de tudo a realidade que não queremos ver. Sandro, o bandido da história, não matou apenas uma jovem inocente, mas a crença da cordialidade brasileira. Nossa sociedade, principalmente das grandes cidades, cada vez olha menos para a miséria que está do lado, com isso fica todo dia mais próxima da violência que surge da nossa incapacidade de visualizar o que pode ser visto tão perto, a solidariedade.” – Alexandre Simões (http://www.adorocinema.com/filmes/onibus-174)

“O doc. é estarrecedor! Como cidadão, me senti inútil; como ser humano, um estúpido! (…) Padilha consegue mostrar que aquele “monstro”, foi fruto de nós mesmos… uma sociedade excludente desprovida de afeto humano, capaz de exaurir de um garoto o “sentido” da existência e de sociedade.” – Aleida Chomskya (http://www.adorocinema.com/filmes/onibus-174)

“Os direitos sociais dos cidadões não são respeitados, e isso é o que transforma os SANDROS em deliguentes de alta periculosidade. Com certeza se Sandro estivesse tido a oportudade de ter seus direitos garantidos, como um ser-humano e não ter sido tratado como um animal, incluido em todos os preconceitos sociais, o resultado não teria sido este tão trágico. Muitas vezes nós mesmos não queremos ver oque a realidade nos mostra, achamos que o problema não é conosco e não damos importância, a menos que aconteça com alguém proximo a nós. Documentários como este serve para que nos reflitamos que somos parte integrante da sociedade e que devemos tratar nosso próximo com respeito, ás vezes uma palavra, uma atenção, pode mudar a vida de uma pessoas.” – Solange Lima (http://www.adorocinema.com/filmes/onibus-174)


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