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O Alquimista – Paulo Coelho

maio 21, 2010 Deixe um comentário

Terminei de ler “O Alquimista”. Foi o primeiro livro de Paulo Coelho que li. E, para ser bem sincero, não gostei muito. Não que o livro seja ruim, ele não é. Mas não achei nada extraordinário, como algumas análises que vi por aí diziam. Acho que acabei caindo na famosa fórmula da satisfação: Satisfação = QualidadeDaObra – Expectativa. Como minha expectativa para o livro estava muito alta, a minha satisfação não foi das maiores.

O que mais me frustrou no livro foi o seu uso excessivo de algumas “frases” (na verdade, uma ou duas palavras) filosóficas. Algumas vezes elas se encaixam muito bem no contexto, mas, na grande maioria, parecem que foram simplesmente jogadas no meio do texto. Aqui vão algumas delas:

“Alma do Mundo”, “Sinais”, “Linguagem dos Sinais”, “Lenda Pessoal”, “Grande Obra”, “Sorte de Principiante”, etc.

Todas elas são excessivamente repetidas durante o texto. Elas lembram bastante “os números” de Lost (4 8 15 16 23 42). Caso você não tenha assistido Lost, esses números apareciam em quase todos os episódios da série, na maioria das vezes sem fazer qualquer sentido. É bem semelhante ao que acontece com as frases citadas acima.

Outra coisa chata são os “ensinamentos monetários” que perpetuam em umas 30 páginas do livro. Sabe aquelas histórias do tipo: “Olha, ninguém irá comprar essas taças de vidro porque elas estão muito sujas. Limpe-as e você conseguirá vendê-las.”. Depois de limpas, as taças são vendidas. Daí o protagonista vem e fala: “Os clientes chegam aqui com sede (pois a loja ficava no alto de um morro). Vamos começar a vender vinho junto com as taças…”. Parece até que estou lendo alguns desses livros sobre “Como administrar seu dinheiro”. Essa parte do livro foge completamente do propósito do mesmo. Felizmente, como eu disse, ela dura apenas umas 30 páginas.

Acho que já critiquei muito. Vamos falar dos pontos positivos. O primeiro é a leitura fácil. Nada de palavras extravagantes, usadas apenas no Português de 500 anos atrás. A leitura do livro é extremamente fácil e prazerosa. Uma criança de 12 anos consegue lê-lo sem problemas. O segundo aspecto positivo é a descrição dos lugares por onde o personagem principal (Santiago, mais conhecido no livro como “o rapaz”) passa durante sua jornada. A história se passa na Espanha e na África. Várias das cidades por onde o protagonista passa (todas elas existentes na vida real) são descritas muito bem pelo autor. Nesse sentido, Paulo Coelho fez um belo trabalho ao enriquecer nossa cultura, mostrando sempre algumas curiosidades sobre essas cidades.

Mas o melhor do livro é mesmo o seu final. Não é nada excepcional, mas é bem bolado e te faz parar para pensar. Atenção: para aqueles que gostam de ver a última página do livro antes de começar a lê-lo, não façam isso! Você irá pegar o maior spoiler da obra caso o faça. Segure a ansiedade!

O livro é muito mitológico. Caso você não goste de explicações surreais, de conversas com entidades inexistentes, de pessoas que lêem mentes… então provavelmente não gostará do livro. Porém, se tiver um pouco de paciência e parar para absorver um pouco da filosofia do livro, vai acabar esquecendo esses momentos e irá aproveitar a obra como um todo.

Analisando os altos e baixos “O Alquimista” é um bom livro. Se você irá gostar ou não, vai depender do seu humor e da sua fé (se for uma pessoa muito religiosa, é provável de que acabe gostando bastante do livro). Recomendado.

“Mas seu coração falava em outras coisas. Contava com orgulho a história de um pastor que havia deixado suas ovelhas para seguir um sono que se repetiu duas noites. Contava da Lenda Pessoal, e de muitos homens que fizeram isto, que foram em busca de terras distantes (…), enfrentando os homens de sua época com seus preconceitos e conceitos.” – O Alquimista, pág 185

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